quarta-feira, setembro 22, 2010

Política da perdição




La-dor
Ladrão não leva
Só humor, só valor
E este perde
Prefere aquele, que perece
Deixa a experiência de ser pobre
Prefere dois olhos,
Prefere a terra
dois cegos.

sábado, agosto 28, 2010



Se a religião é feita de ilusões?
É com o material da vida,
Deste que me inluto
me iludo
meramente humano
assim feito
porque me tornar semdeus?

Abandonarei a minha fé
É claro, o farei.
Apenas me contem, antes,
sobre o sentido da vida
fora do umbigo de vocês.

segunda-feira, julho 26, 2010


Ah a dor,
Essa vadia insistente. Renitente. Perdida.
Em mim.
Por que?

Podia escolher o sádico.
O mal.
O bom.
Mas eu, dor-eu. dor-mim.
Nem de madrugada sossego!
O coração da alma!
A mente da vida!
A dor da perda sem fim!

Que eternidade me falta!
Que dureza esse fim, nos meios, perdi o brilho
o ensejo, a bandeira, o troféu, o qualquer coisa dada
aquele que vence, quando alcança o final

Esse meio maltrata, mas é aqui
Que escolhemos, enfim
qualquer coisa, qualquer medo
qualquer satisfação
que faça do momento
real

mas eterno, só lá.
no final.

sexta-feira, junho 11, 2010

Apenas um segundo de céu...

Posso fechar os olhos, partir
Ouço o som e paz
Apenas um segundo de céu, e paz
Madrugada, acordo
Ele fez por mim...
Mais um dia, posso abrir meus olhos

E olha que faltou o sabiá!
Talvez este venha no fim...
É um desproposito, emendar morte-frio, com aquela infância
Não pode ser mero acaso do Criador
Lembrar que ir e vir, é só para Ele

Inventou mangueiras, sabiás, roseiras
A dor criou! com ela, poesia!
Para ser filho dEle, basta tendo nascido aqui, o suspiro
Salva, salva também a mim!
Não ser cego de alma!
Falta algo! mas Ele o fez,
em simples convite o disse- Busque, a mim!

Oh alma abatida, frágil, inquieta alma, mais uma vez, espere
Ele, já, vem.

“Doce mistério, o seu amor por mim
Nasce o sol, nasce a luz, nasce em mim
Ainda nem se fez manhã, eis me aqui a te buscar
Sem ti a vida é vã, sem razão passará...” João Alexandre



quinta-feira, junho 10, 2010

Poker



Algumas fichas, semblante fechado
Impasse
Aposta, bravura
sorte

Não! se ainda não venceu...
Há algumas rodadas
respostas, jamais
apenas objetos redondos
quase olhares
virtudes derramadas
em rios
em verdade
no risco

Se aposta para a vida
rende-se algo
sorrisos
amigos
objetos redondos de boa economia
chamam fé fechar os olhos,
o pensamento é mais lento
a ação foi, e disse:
é para ir, que vim
se não for,
serei?

Acordar todos os dias,
perdendo, ganhando
chorando,
susto de alegria
esse que vem,
quase que sempre-no-fim
o alívio para a dor
distância a suspeita
surpresa!
é melhor assim...
se já ganhou vida,
que é a morte?
aposta,
é porque vim.

ser-para-a-morte?
só até o fim.
e nunca mais...

Ah desde aquela morte, antes-só-vivo, agora-começos-acompanhado.
Desde aquela-vida-nova, acabaram-se as apostas.

terça-feira, junho 08, 2010



Ao menos moro no alto das montanhas
E o que importa se aqui passa carros?
Ter ar gélido, tem marrom, ar temperado
Doce, como um espetáculo

Como (?) se tudo que pedi, fosse isso (aqui)
No dia que sonhei
Mal sabia, tardia o en-tarder-ser
Vento frio

Como chegará a noite?
Talvez alegria- que outros chorem!
Os invernos da vida!
Já me bastam estes, vinte e poucos outrora...
Já me basta de ser pedaço ao vento e re-lento
Se penso, o que?
Se me vês, me diga, meu ser
És tu, impostor, trai-dor, conserva-dor
Frio e dor
Ou é só o outro, batendo na porta, pedindo coragem
Gemendo, sonhando, relento, montanha e vento
Se os carros que passam, são para desprezo
Se a vida que se leva, é para a frente
e se perdeu a linha, perdeu a corrida...

A esperança, não tem estação, é maior que a vida.
E a vida, sobre as montanhas, manda noticias.
Extra extra, nasce mais um, perdedor, fracasso e cruz
E olha a vergonha, pasmem- ela não era dele...!

terça-feira, maio 25, 2010



Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.



(Rainer Maria Rilke)

quarta-feira, abril 07, 2010

Folhas mortas de outono


Ele chegou- o inferno...
Digo, outono, ainda.
Digo, o março, o abraço, se foi.
O frio ficou.
No peito.
No zelo.
Na dor.
No preocupar, com o abandono.

Não abro a janela e o deixo de fora,
Eu sei, que quando sair, ele me espera
A vida, cinza, com ventos grisalhos, não precisa bater na porta.
É senhora do tempo.
Faça sol, mas sempre faz chuva e vento.

Mentiram para mim,
Chove, chora e faz cinza, nas quartas e quintas
Nos domingos, nos inicios
E nos fins

Que loucura, ignorar o frio, o vento, o abandono...
Que loucura, ignorar o fim!
Que loucura ignorar o som da chuva lá fora, se aqui dentro, ela mata mais um.

O inverno grita, plenos peitos- "não morra ainda, espere por mim"

quinta-feira, abril 01, 2010

Chovar


Ao menos chuva, chova
Não fique por aqui, ensaiando
Se derramando em possibilidades
negras, apáticas, monocromáticas
dolorosas ventanias me cercas, tu que não cais
não mar, não beira, não vem- só fica ensaiando o desfecho.
Só fica mordendo o anzol, matutando a ferida
despedindo a vida, fazendo chorar
num dia tão triste

Caia! para que eu ria! para que me comova, e enfrente a vida!
não deixe no ar, sua volúpia, seu chorar!
chore também, para comigo integrar...
venha com tudo, mas venha! não fique ae, parada! chorada! maiada!
Se podes cair, caia!
Se não podes, não o faça, eu me des-faço do laço
do desejo, do ensejo, do vigor, do alvo
me alegro com o que basta, nuvens de possibilidades
estrondos, frio, dor
você fica ae, eu ficarei aqui
chovo porque gosto do molho, gosto da sopa que dá
quando a alma se vai, fica um gosto menos amargo
mesmo vicio, café

Mas não acaba aqui, nunca acaba assim
tem sempre um fim, que agora é lá
onde outras vidas, espero viver
molhado caminhar
que virtude, fantasiar! gemer! chorar! cair! levantar!
sempre trazendo mais vida, sempre depois, da tormenta e da queda
o desvio, o mar, se deu, meu Deus, por mim, oxalá

Chora minha nuvem, chora!
venha mamar!
a terra te chama!
os ventos improvisam!
venha cantar!
e se mesmo assim não quiser, tudo bem
eu entendo!
eu entenderei!
o fardo do só
que nem nessa vida pode gozar
o dom da chuva, no outono
se o dia realmente decidiu triste-ar

Te desafio novamente! se não cair, eu te jogo dae!
não tenho força, mas tenho o dom, e na fantasia
tu não podes ficar!
aqui dentro, nem sempre se manda, mas em algo, eu posso mandar!
te vejo caindo, te vejo caida!
estendo as mãos, levanter-se-a, minha amiga!
eu também choro, eu também caio, eu também deliro!
na vida, convém, ser-se-ar
sem forma, sem rumo, sem lugar
ser alguém, ser-ser-ser e voar
improviso também sua altivez, pois sei que não há maior, que um dia negue o prostar!
não há dor
não há
em cair, e levantar!

terça-feira, março 23, 2010



Por que, Deus, me fez maldito, entre radicais?
todos querem um pedaço meu
estou partido e não me entrego!
Maldito eu!

Quero deslizar nas nuvens
padeço, pedaço, dado, corrompido
era preciso um pouco de fé no incerto
malditas certezas constragedoras!
malditos pináculos do templo!
malditos momentos de dor! (dor-ar!)
ainda se zomba, do risco que se impoe

Sobre o corpo, antes da cirurgia
que parte em pedaços o alimento, dor-dado eterno
malditas certezas absurdas!
me salvam ainda! malditas!
como se pudesse, simples, sem fé
viver em mim
tão fora do lugar sonhado
que um dia adormeci

quinta-feira, março 11, 2010

Fui, ser.


Lembranças, sonhos, devaneios
Algo não está aqui, eu perdi
Fora a impossibilidade do encontro, me perco
Nas estradas da perdição, talvez haja tato
Nem tanto, mas a fala.
Seria real a cura que se opera;

Espero, pelo tempo e seus juízes
Por ele, que separa o que lhe apraz
Brinca comigo e me faz melhor
Caminho que tanto desconheço em vida
Me faz chorar por ontem, quando
Em outra estrada decidia amar
Em erro, agora, desejo as
Virtudes que faltaram lá, e que
Re-fazem-me-a, vida peregrina, minha sorte
Minha sina, minha tristeza, que agonia...

Essa de errando, errar.

Que alvo difícil, quando tão embriagado caminho
Meu Deus, nunca me permitirás voltar, e
Se voltasse, por mim, não asseguro que
Seja o correto, o acerto, o melhor
Veja com graça, ao menos, o presente que se dá
Se derrama em possibilidades, em vida
Dê-me vida para amar
Amor parar me juntar ao possível
E satisfeito andar
Sempre vou te amar, mas lamento nessa vida
Em minha dificuldades, pouco honrar (a ti, o Outro)
Sou doente, confesso, cura-me
Com amor eterno, e o tempo
Que se vai-indo-já, junto com o vento
Do Espírito, fica-vai-volta em memória
Que tortura tanto, sempre alegra
Quando sei que naquela prima oração, sempre

Fui teu.

Poems my friends, poems.


Poesia no segundo dia
A arte da fraqueza, me perca
Para não se perder, lutar, correr
Sonhar, sofrer
Viver o aqui, o segundo exato, suspirar
Ex-inspirar
Apertos, logo aqui, aqui...

E lá não existe, e lá é real!
Quando aqui era lá, que fácil cantar
Viver, o que não pode, o que não é
Faz sorrir, desdenhar, o sofrer
Como se viver, não fosse o morrer, agora
Dia a dia, a cada momento
Me sinta sem sal, saleiro
Viajando na luna, caminhando ao além

Hoje, viverei
Atirando contra mim para morrer
Para as perfeições, insistentes
Me rebaixam, ao titulo e mérito
Da vergonha, de me impor
Meu Deus, eu que sou fraco
Permita-me sofrer...
Sendo eu.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Quem é?


Quem é aquele?
O perdão se fez carne.
A misericórdia andando entre nós?
Confunde-nos, quebra-nos com doçura.

Quem é este?
Todos queremos saber.
Não é comum.
Não é discreto.
Não para amar.

Quem é Ele?
Louco, a tocar impuros!
Oferece abrigo, mas não tem onde morar!

Quem é Você?
Aqui, tão perto, me dizendo "não temas".
Quando me vi, já estava a caminhar.
Eu sequer sabia andar! Leve!

Tu és o Cristo o Filho de Deus.
Feliz aquele, que por graça, te confessar!


Ricardo F. Silva
Livre, preso, pleno em Cristo.
04 de outubro de 2009

quinta-feira, outubro 01, 2009

O preço de Deus


“Os olhos dela não piscam. É Magnólia comprando Deus pela TV, ao vivo e a cores, em espécie ou cheque. Ela telefona, alguém intermedeia, analisa o pedido, faz o orçamento. Fecham negócio. Fecha os olhos, recebe a benção. Quase de graça. Quase.

Adora-se o dinheiro, adora-se deus, adora-se as bençãos da trindade deus-dinheiro-deus, adora-se as bençãos, adora-se (a-si-mesmo), adora, a dor, ah...


Boa parte da cristandade endossa o consumismo moderno e o afirma em suas teologias. Deus pode ser comprado pela TV- ao vivo e a cores ou internet- em tempo real pelo fruto do dinheiro-trabalho-mérito. Os shoppings se erguem como o atual templo de mamon. Nunca se quis tanto ter, nunca ser.

O imediatismo quer tudo para ontem. A religião-igreja supre o mercado espiritual com seus ritos mágicos de prosperidade e sua fórmula paz-paz. Não há paz. Preenche os anseios dos que querem ter e ter-sem-fim. Ter Deus. Ter dinheiro. A química do 2 em 1: Shampoo e condicionador.

Os templos Shoppings lotados, crescem vertiginosamente, revelam que o deus mamon está em plena atividade e domina a liturgia social. A mídia, publicidade e propaganda são seus missionários em tempo integral. Nós, devotos, queremos a moda. Queremos agora. Mesmo por apenas uma estação. Deuses descartáveis a cada 3 meses. Adaptáveis a imagens de toda sorte, status-a. Confortáveis às ultimas necessidades do momento: Dá e dá. Ao preço do nosso dinheiro, fruto do nosso pesado-suado-trabalho-mérito. Repetir Caim, matar Abel.

O evangelho que não nos mede pelo que temos, nos ensina a crer e ser-como-Ele-É: vazio de glória e posse. Vazios de si. Ora, o que temos é dádiva a se compartilhar. São Francisco de Assis em seu radical voto de pobreza nada tinha, com isso, nada tinha a perder! Thoreau, filósofo da natureza, apontava a riqueza de um homem pelo que ele pode prescindir, e a pobreza pelo fardo do ter.

Amigos o evangelho nos des-pré-ocupa: nossas necessidades Deus supre. Com a dádiva do trabalho honesto e a dádiva do descanso. Com a dádiva da fé. Consumamos exaustivamente, diariamente, freneticamente, comunitariamente: as vestes do cordeiro, o pão da vida, a água que mata a sede, o colírio que abre os olhos, o vinho novo. De graça. Simples assim. Creia!

Se desejar medite: Mt 6:19-24; Ap 22:17 e 3:17-18; Is 55: 1-2; Jo 6:35 e 7:37-38


Ricardo F. Silva

Livre, preso, pleno, em Cristo.


quarta-feira, fevereiro 25, 2009

À derivar...


Que saudade dos meus filhos!
Saudades da muié
De meus amigos, de mim
De tudo o mais
e do nada, sequer

Não escrevo como quem morre
Mas vivo a ler Bandeira
Augusto dos Anjos
Algumas freiras
E a verdade

Pobre mente infeliz
Nunca viu, nunca veu
nem veio, sem sorte foi
Deus,
Para onde, longe, mesmo, veio?

Ricardo Ferreira
"Nuwanda"
20-02-09

Meu queijo, meu doce, meu algo mais


Deus me livre das capitais
e das dores sem cura
em meu intimo, condeno
a censura

Não quero dormir, nem respirar
em provações, parciais ações
daqui
de lá

o verde me invade os olhos
me saúdam
saúde!
aqui, posso amar (sem mar)

Tomara com sorte, em morte
poeta mineiro me tornar
antes, obstante
quero apenas pão de queijo (pão de versos)

quero apenas amar

Quero a vida, a cruz
do nosso Senhor
viver em graça, com café
vadiar
oxalá!

Ricardo F.
20-02-2009


........................
"Minas um Belo Horizonte, Minas por trás dos montes, Minas só pra te amar... Três Corações..."

João Alexandre.

Regressos

Rembrandt- a volta do filho pródigo

Ele foi
O ir o tomava
Daqui se encheu
Queria algo,
Mais.

Ele ficou
Aqui estava bom
Não era um presente e
Estético
se tornou.

Neles se perdeu
Foi, ficou, partiu, chorou
A possibilidade da liberdade
se perdeu para o amor
Perdido
Abraçou, abraçou

Ricardo F.
20-02-2009

Capuccinear



Capuccino da Alameda Santos
que saudade Anderson!
A fumaça no ar
A leveza, do falar

Queria te tomar por filho
O Lucas também
Esse nunca será médico
a poesia lhe cai bem

O café mais negro
Profundo
Aos vossos lados
sempre desfrutar

Que os anos sejam piedosos
Amigos!
Não falte poesia, arte, cristianismo
para juntos, questionar.

Ricardo F.
20-02-2009

sábado, fevereiro 14, 2009

Éssepê


As filas me saúdam
condicionadas por pontos vermelhos
adiante

A expectativa do movimento
externo
ao verde imperativo
sorrisos

À parte de dentro
incondicionada
espero repouso
em qualquer ponto (porto)

Escrevera eu antes
sobre efeito de ópio
canarinho
agora insone
sobre mim
concreto, sãopaulino

Oh, que tristes!
as veias, do velho, Tietê!

Corro, corro, corro...
só, corro

Fui atingido
pelos outros
corredores
da morte

...........................................
Ricardo F. Silva
"Nuwanda"

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Movimento



Sobre a calha e o telhado
a chuva
sonora, visível
tranquila
discursa sobre algo

O branco, o cinza, o chumbo
nada é mais belo
que as árvore, e
imprimem movimento
paradas
cercando o firmamento

branca
cinza
amarela

Que a fome me
ataque
que a morte me
cerque
Mas eu nunca deixe
a Vida

Escorrer, parada, sem dançar
nas calhas do tempo.

...
Ricardo F. Silva
"Nuwanda"