terça-feira, maio 25, 2010



Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.



(Rainer Maria Rilke)

quarta-feira, abril 07, 2010

Folhas mortas de outono


Ele chegou- o inferno...
Digo, outono, ainda.
Digo, o março, o abraço, se foi.
O frio ficou.
No peito.
No zelo.
Na dor.
No preocupar, com o abandono.

Não abro a janela e o deixo de fora,
Eu sei, que quando sair, ele me espera
A vida, cinza, com ventos grisalhos, não precisa bater na porta.
É senhora do tempo.
Faça sol, mas sempre faz chuva e vento.

Mentiram para mim,
Chove, chora e faz cinza, nas quartas e quintas
Nos domingos, nos inicios
E nos fins

Que loucura, ignorar o frio, o vento, o abandono...
Que loucura, ignorar o fim!
Que loucura ignorar o som da chuva lá fora, se aqui dentro, ela mata mais um.

O inverno grita, plenos peitos- "não morra ainda, espere por mim"

quinta-feira, abril 01, 2010

Chovar


Ao menos chuva, chova
Não fique por aqui, ensaiando
Se derramando em possibilidades
negras, apáticas, monocromáticas
dolorosas ventanias me cercas, tu que não cais
não mar, não beira, não vem- só fica ensaiando o desfecho.
Só fica mordendo o anzol, matutando a ferida
despedindo a vida, fazendo chorar
num dia tão triste

Caia! para que eu ria! para que me comova, e enfrente a vida!
não deixe no ar, sua volúpia, seu chorar!
chore também, para comigo integrar...
venha com tudo, mas venha! não fique ae, parada! chorada! maiada!
Se podes cair, caia!
Se não podes, não o faça, eu me des-faço do laço
do desejo, do ensejo, do vigor, do alvo
me alegro com o que basta, nuvens de possibilidades
estrondos, frio, dor
você fica ae, eu ficarei aqui
chovo porque gosto do molho, gosto da sopa que dá
quando a alma se vai, fica um gosto menos amargo
mesmo vicio, café

Mas não acaba aqui, nunca acaba assim
tem sempre um fim, que agora é lá
onde outras vidas, espero viver
molhado caminhar
que virtude, fantasiar! gemer! chorar! cair! levantar!
sempre trazendo mais vida, sempre depois, da tormenta e da queda
o desvio, o mar, se deu, meu Deus, por mim, oxalá

Chora minha nuvem, chora!
venha mamar!
a terra te chama!
os ventos improvisam!
venha cantar!
e se mesmo assim não quiser, tudo bem
eu entendo!
eu entenderei!
o fardo do só
que nem nessa vida pode gozar
o dom da chuva, no outono
se o dia realmente decidiu triste-ar

Te desafio novamente! se não cair, eu te jogo dae!
não tenho força, mas tenho o dom, e na fantasia
tu não podes ficar!
aqui dentro, nem sempre se manda, mas em algo, eu posso mandar!
te vejo caindo, te vejo caida!
estendo as mãos, levanter-se-a, minha amiga!
eu também choro, eu também caio, eu também deliro!
na vida, convém, ser-se-ar
sem forma, sem rumo, sem lugar
ser alguém, ser-ser-ser e voar
improviso também sua altivez, pois sei que não há maior, que um dia negue o prostar!
não há dor
não há
em cair, e levantar!

terça-feira, março 23, 2010



Por que, Deus, me fez maldito, entre radicais?
todos querem um pedaço meu
estou partido e não me entrego!
Maldito eu!

Quero deslizar nas nuvens
padeço, pedaço, dado, corrompido
era preciso um pouco de fé no incerto
malditas certezas constragedoras!
malditos pináculos do templo!
malditos momentos de dor! (dor-ar!)
ainda se zomba, do risco que se impoe

Sobre o corpo, antes da cirurgia
que parte em pedaços o alimento, dor-dado eterno
malditas certezas absurdas!
me salvam ainda! malditas!
como se pudesse, simples, sem fé
viver em mim
tão fora do lugar sonhado
que um dia adormeci

quinta-feira, março 11, 2010

Fui, ser.


Lembranças, sonhos, devaneios
Algo não está aqui, eu perdi
Fora a impossibilidade do encontro, me perco
Nas estradas da perdição, talvez haja tato
Nem tanto, mas a fala.
Seria real a cura que se opera;

Espero, pelo tempo e seus juízes
Por ele, que separa o que lhe apraz
Brinca comigo e me faz melhor
Caminho que tanto desconheço em vida
Me faz chorar por ontem, quando
Em outra estrada decidia amar
Em erro, agora, desejo as
Virtudes que faltaram lá, e que
Re-fazem-me-a, vida peregrina, minha sorte
Minha sina, minha tristeza, que agonia...

Essa de errando, errar.

Que alvo difícil, quando tão embriagado caminho
Meu Deus, nunca me permitirás voltar, e
Se voltasse, por mim, não asseguro que
Seja o correto, o acerto, o melhor
Veja com graça, ao menos, o presente que se dá
Se derrama em possibilidades, em vida
Dê-me vida para amar
Amor parar me juntar ao possível
E satisfeito andar
Sempre vou te amar, mas lamento nessa vida
Em minha dificuldades, pouco honrar (a ti, o Outro)
Sou doente, confesso, cura-me
Com amor eterno, e o tempo
Que se vai-indo-já, junto com o vento
Do Espírito, fica-vai-volta em memória
Que tortura tanto, sempre alegra
Quando sei que naquela prima oração, sempre

Fui teu.

Poems my friends, poems.


Poesia no segundo dia
A arte da fraqueza, me perca
Para não se perder, lutar, correr
Sonhar, sofrer
Viver o aqui, o segundo exato, suspirar
Ex-inspirar
Apertos, logo aqui, aqui...

E lá não existe, e lá é real!
Quando aqui era lá, que fácil cantar
Viver, o que não pode, o que não é
Faz sorrir, desdenhar, o sofrer
Como se viver, não fosse o morrer, agora
Dia a dia, a cada momento
Me sinta sem sal, saleiro
Viajando na luna, caminhando ao além

Hoje, viverei
Atirando contra mim para morrer
Para as perfeições, insistentes
Me rebaixam, ao titulo e mérito
Da vergonha, de me impor
Meu Deus, eu que sou fraco
Permita-me sofrer...
Sendo eu.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Quem é?


Quem é aquele?
O perdão se fez carne.
A misericórdia andando entre nós?
Confunde-nos, quebra-nos com doçura.

Quem é este?
Todos queremos saber.
Não é comum.
Não é discreto.
Não para amar.

Quem é Ele?
Louco, a tocar impuros!
Oferece abrigo, mas não tem onde morar!

Quem é Você?
Aqui, tão perto, me dizendo "não temas".
Quando me vi, já estava a caminhar.
Eu sequer sabia andar! Leve!

Tu és o Cristo o Filho de Deus.
Feliz aquele, que por graça, te confessar!


Ricardo F. Silva
Livre, preso, pleno em Cristo.
04 de outubro de 2009

quinta-feira, outubro 01, 2009

O preço de Deus


“Os olhos dela não piscam. É Magnólia comprando Deus pela TV, ao vivo e a cores, em espécie ou cheque. Ela telefona, alguém intermedeia, analisa o pedido, faz o orçamento. Fecham negócio. Fecha os olhos, recebe a benção. Quase de graça. Quase.

Adora-se o dinheiro, adora-se deus, adora-se as bençãos da trindade deus-dinheiro-deus, adora-se as bençãos, adora-se (a-si-mesmo), adora, a dor, ah...


Boa parte da cristandade endossa o consumismo moderno e o afirma em suas teologias. Deus pode ser comprado pela TV- ao vivo e a cores ou internet- em tempo real pelo fruto do dinheiro-trabalho-mérito. Os shoppings se erguem como o atual templo de mamon. Nunca se quis tanto ter, nunca ser.

O imediatismo quer tudo para ontem. A religião-igreja supre o mercado espiritual com seus ritos mágicos de prosperidade e sua fórmula paz-paz. Não há paz. Preenche os anseios dos que querem ter e ter-sem-fim. Ter Deus. Ter dinheiro. A química do 2 em 1: Shampoo e condicionador.

Os templos Shoppings lotados, crescem vertiginosamente, revelam que o deus mamon está em plena atividade e domina a liturgia social. A mídia, publicidade e propaganda são seus missionários em tempo integral. Nós, devotos, queremos a moda. Queremos agora. Mesmo por apenas uma estação. Deuses descartáveis a cada 3 meses. Adaptáveis a imagens de toda sorte, status-a. Confortáveis às ultimas necessidades do momento: Dá e dá. Ao preço do nosso dinheiro, fruto do nosso pesado-suado-trabalho-mérito. Repetir Caim, matar Abel.

O evangelho que não nos mede pelo que temos, nos ensina a crer e ser-como-Ele-É: vazio de glória e posse. Vazios de si. Ora, o que temos é dádiva a se compartilhar. São Francisco de Assis em seu radical voto de pobreza nada tinha, com isso, nada tinha a perder! Thoreau, filósofo da natureza, apontava a riqueza de um homem pelo que ele pode prescindir, e a pobreza pelo fardo do ter.

Amigos o evangelho nos des-pré-ocupa: nossas necessidades Deus supre. Com a dádiva do trabalho honesto e a dádiva do descanso. Com a dádiva da fé. Consumamos exaustivamente, diariamente, freneticamente, comunitariamente: as vestes do cordeiro, o pão da vida, a água que mata a sede, o colírio que abre os olhos, o vinho novo. De graça. Simples assim. Creia!

Se desejar medite: Mt 6:19-24; Ap 22:17 e 3:17-18; Is 55: 1-2; Jo 6:35 e 7:37-38


Ricardo F. Silva

Livre, preso, pleno, em Cristo.


quarta-feira, fevereiro 25, 2009

À derivar...


Que saudade dos meus filhos!
Saudades da muié
De meus amigos, de mim
De tudo o mais
e do nada, sequer

Não escrevo como quem morre
Mas vivo a ler Bandeira
Augusto dos Anjos
Algumas freiras
E a verdade

Pobre mente infeliz
Nunca viu, nunca veu
nem veio, sem sorte foi
Deus,
Para onde, longe, mesmo, veio?

Ricardo Ferreira
"Nuwanda"
20-02-09

Meu queijo, meu doce, meu algo mais


Deus me livre das capitais
e das dores sem cura
em meu intimo, condeno
a censura

Não quero dormir, nem respirar
em provações, parciais ações
daqui
de lá

o verde me invade os olhos
me saúdam
saúde!
aqui, posso amar (sem mar)

Tomara com sorte, em morte
poeta mineiro me tornar
antes, obstante
quero apenas pão de queijo (pão de versos)

quero apenas amar

Quero a vida, a cruz
do nosso Senhor
viver em graça, com café
vadiar
oxalá!

Ricardo F.
20-02-2009


........................
"Minas um Belo Horizonte, Minas por trás dos montes, Minas só pra te amar... Três Corações..."

João Alexandre.

Regressos

Rembrandt- a volta do filho pródigo

Ele foi
O ir o tomava
Daqui se encheu
Queria algo,
Mais.

Ele ficou
Aqui estava bom
Não era um presente e
Estético
se tornou.

Neles se perdeu
Foi, ficou, partiu, chorou
A possibilidade da liberdade
se perdeu para o amor
Perdido
Abraçou, abraçou

Ricardo F.
20-02-2009

Capuccinear



Capuccino da Alameda Santos
que saudade Anderson!
A fumaça no ar
A leveza, do falar

Queria te tomar por filho
O Lucas também
Esse nunca será médico
a poesia lhe cai bem

O café mais negro
Profundo
Aos vossos lados
sempre desfrutar

Que os anos sejam piedosos
Amigos!
Não falte poesia, arte, cristianismo
para juntos, questionar.

Ricardo F.
20-02-2009

sábado, fevereiro 14, 2009

Éssepê


As filas me saúdam
condicionadas por pontos vermelhos
adiante

A expectativa do movimento
externo
ao verde imperativo
sorrisos

À parte de dentro
incondicionada
espero repouso
em qualquer ponto (porto)

Escrevera eu antes
sobre efeito de ópio
canarinho
agora insone
sobre mim
concreto, sãopaulino

Oh, que tristes!
as veias, do velho, Tietê!

Corro, corro, corro...
só, corro

Fui atingido
pelos outros
corredores
da morte

...........................................
Ricardo F. Silva
"Nuwanda"

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Movimento



Sobre a calha e o telhado
a chuva
sonora, visível
tranquila
discursa sobre algo

O branco, o cinza, o chumbo
nada é mais belo
que as árvore, e
imprimem movimento
paradas
cercando o firmamento

branca
cinza
amarela

Que a fome me
ataque
que a morte me
cerque
Mas eu nunca deixe
a Vida

Escorrer, parada, sem dançar
nas calhas do tempo.

...
Ricardo F. Silva
"Nuwanda"

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Passarim mineiro

Cd Passarim 1987- Jobim

O passarim disputa
consigo mesmo
o caído
pão de queijo
no asfalto

Adrenalina na veia
voos e des-voos
volta
desejoso
do nectar mineiro
caido no asfalto

O bondoso
descuido
do feitor de pães
que o derrama
à alimentar, à revelia
incosciente, inconsequente

Faz com canção
o passarim asfáltico
agradecer

...
Ricardo F. Silva
"Nuwanda"

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Coríntios 13



Quisera eu falar as línguas das nações
E aos povos irmanar em puras intenções
Deve ser doce, enfim, a língua angelical
Clamar com os serafins o Nome sem igual

E se eu profetizar, mistérios desvendar
Saber qual a razão de estrelas na amplidão
Se eu não tiver amor, de nada valerá
Eu viverei só pra saber o que é viver em vão


Quisera fé maior pra que eu vencesse o mal
E ao Pai servir melhor, pureza mais real
Oferecer os bens a quem mais precisar
Ir longe, muito além, a vida entregar


E eu que nada sou, não tenho muito a dar
Mas se eu tiver amor na vida que eu levar
Eu saberei , então, que o pouco que eu fiz
Não foi em vão, valeu a pena sentir meu Deus feliz!

CORÍNTIOS 13 (Stênio Marcius)

sexta-feira, janeiro 16, 2009



Parto-me,
fico tanto, que
o ir
me duvida
ser eu

é uma parte
fato
que encerra
me partido

novamente na estrada

...
..
.
"e o coração de quem ama fica faltando um pedaço que nem a lua minguando que nem o meu nos seus braços. . . "
Faltando um pedaço- Djavan

terça-feira, janeiro 13, 2009

A luz nem era assim tão clara...


A luz nem era assim tão clara...

Quando meus olhos
----------------se fecharam
------------------------a dor abriu-me o peito
---------Sentimento sem respeito,
Sem mácula
--------tão perfeito
----------------tal defeito!
Caminho que finda na escuridão
...

Meus sapatos guardam réstias
--------------------------de estradas
---------------------------------trilhadas outrora
A luz nem era assim tão clara...
--------------------------e a perfeição já gritava
--------------------------------------------nos meus olhos (?)

Acorda!
-----já é hora!
----------vida que te custa a morte!

Riso que te custa
-------------lágrima (s)
------------------luz que te paga o breu.

Vida que pariu o medo
-----------------ao leste o abrigo
-----------------------------do afogado verso

Sem brio
-------Sem cor
-------------Sem sentido
----------------------com dor
------------------------------temo a vida!

..........................................................................................................

Com a honra da parceria gulariana de Lucas de Oliveira,
poeta e calvinista contrariado.
Abraço.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Tolices cotidianas

Gabriela Andrade- euemeusrabiscos.blogspot.com


Todo tempo:
era tudo sobre o Amor
inicio, meio e fim

e eu, tolo, ainda a procurar?

Sobre a dor deixada...


Fica uma dor e ainda bem
é bom deixa-la e partir
não levarei-a
talvez não para sempre
e assim não será
por algum momento sou livre
sou pleno
e existo

Não teve pão de queijo
e não-pouco doeu
e chorei
e compreendi
a morte
é o fim para vida

Agora que me falta morrer

Caminho para o matadouro
sem laços que não sejam amor
sem caminhos que não sejam ternura
sem vida que não seja entrega
sem droga nas sacolas
sem merda na cabeça
sem estar alto
me elevo

E não posso mais morrer
a vida me alcançou bela
e triste
partiu
não para sempre
mas já não importa
agora que sei que és triste e feliz
viver

Agora é o tempo
é o tempo
o tempo de partir
sem dor

E me entregar para doer

E que doa mais que
a dor que eterna carrego, dentro de mim
e se for, o que duvido
eu rirei na cara dela
e chorarei
feliz pelo privilégio de sentir
algo que fere, não morre, não-mata
não mais...

...................................

E se sempre doer...
ainda,
poderei amar.

Ricardo F. Silva
(Nuwanda)

"E é só você que tem a cura pra meu vicio de insistir, nessa saudade que eu sinto... de tudo que eu ainda não vi."
Indios - Legião Urbana