quarta-feira, abril 07, 2010

Folhas mortas de outono


Ele chegou- o inferno...
Digo, outono, ainda.
Digo, o março, o abraço, se foi.
O frio ficou.
No peito.
No zelo.
Na dor.
No preocupar, com o abandono.

Não abro a janela e o deixo de fora,
Eu sei, que quando sair, ele me espera
A vida, cinza, com ventos grisalhos, não precisa bater na porta.
É senhora do tempo.
Faça sol, mas sempre faz chuva e vento.

Mentiram para mim,
Chove, chora e faz cinza, nas quartas e quintas
Nos domingos, nos inicios
E nos fins

Que loucura, ignorar o frio, o vento, o abandono...
Que loucura, ignorar o fim!
Que loucura ignorar o som da chuva lá fora, se aqui dentro, ela mata mais um.

O inverno grita, plenos peitos- "não morra ainda, espere por mim"

quinta-feira, abril 01, 2010

Chovar


Ao menos chuva, chova
Não fique por aqui, ensaiando
Se derramando em possibilidades
negras, apáticas, monocromáticas
dolorosas ventanias me cercas, tu que não cais
não mar, não beira, não vem- só fica ensaiando o desfecho.
Só fica mordendo o anzol, matutando a ferida
despedindo a vida, fazendo chorar
num dia tão triste

Caia! para que eu ria! para que me comova, e enfrente a vida!
não deixe no ar, sua volúpia, seu chorar!
chore também, para comigo integrar...
venha com tudo, mas venha! não fique ae, parada! chorada! maiada!
Se podes cair, caia!
Se não podes, não o faça, eu me des-faço do laço
do desejo, do ensejo, do vigor, do alvo
me alegro com o que basta, nuvens de possibilidades
estrondos, frio, dor
você fica ae, eu ficarei aqui
chovo porque gosto do molho, gosto da sopa que dá
quando a alma se vai, fica um gosto menos amargo
mesmo vicio, café

Mas não acaba aqui, nunca acaba assim
tem sempre um fim, que agora é lá
onde outras vidas, espero viver
molhado caminhar
que virtude, fantasiar! gemer! chorar! cair! levantar!
sempre trazendo mais vida, sempre depois, da tormenta e da queda
o desvio, o mar, se deu, meu Deus, por mim, oxalá

Chora minha nuvem, chora!
venha mamar!
a terra te chama!
os ventos improvisam!
venha cantar!
e se mesmo assim não quiser, tudo bem
eu entendo!
eu entenderei!
o fardo do só
que nem nessa vida pode gozar
o dom da chuva, no outono
se o dia realmente decidiu triste-ar

Te desafio novamente! se não cair, eu te jogo dae!
não tenho força, mas tenho o dom, e na fantasia
tu não podes ficar!
aqui dentro, nem sempre se manda, mas em algo, eu posso mandar!
te vejo caindo, te vejo caida!
estendo as mãos, levanter-se-a, minha amiga!
eu também choro, eu também caio, eu também deliro!
na vida, convém, ser-se-ar
sem forma, sem rumo, sem lugar
ser alguém, ser-ser-ser e voar
improviso também sua altivez, pois sei que não há maior, que um dia negue o prostar!
não há dor
não há
em cair, e levantar!